Encontro de Delegados Sindicais debate os ataques aos bancos públicos

O primeiro encontro de delegados sindicais depois de empossados os novos representantes, foi realizado nesta sexta, 17, no Auditório do SEEB. O foco do debate foi os bancos públicos, os ataques que eles vem sofrendo e a necessidade da mobilização da categoria para defendê-los. A exposição sobre o tema, no período da manhã, ficou  a cargo do técnico do DIEESE, subseção FENAE, Felipe Miranda.

Apenas Caixa Econômica Federal e o BNDES ainda se mantém como empresas 100% públicas. O demais bancos, chamados públicos, são em sua maioria empresas de capital misto, tento o Estado como acionista majoritário, mas com o restante de suas ações comerciáveis no mercado financeiro. É o caso do Banco do Brasil, por exemplo. Felipe Miranda ressaltou em sua fala o papel constitucional do banco público.

“Banco público não existe para ser lucrativo”, ressaltou o técnico do DIEESE, amparado pelo texto da constituição que preconiza como um instrumento de manutenção do equilíbrio da economia, bem como um fomentador do desenvolvimento social. Como empresa pública, seu papel não é lucrar, mas sim ser um vetor para as políticas públicas que auxiliam no desenvolvimento da nação, destaca o palestrante.

O compromisso dos bancos públicos com seu papel social fica claro quando verificamos que mais de 50% do acesso ao crédito no país vem deles. A receita gerada, administrada por essas instituições, não representa a correspondência de uma sanha desmedida por lucro. O banco público tem grande parte do seu “lucro” em um capital que não pode ser contabilizado: o social. A administração de fundos importantes, como FGTS, FAT, entre outros, que representam recursos do país, visam a segurança dos mesmos, já que um banco público quebrar significaria, em certa análise, que o Estado quebrou.

A exposição do técnico do DIEESE só ressaltou o quanto a manutenção dos bancos públicos está atrelada a manutenção do desenvolvimento do país em bases que objetivam o bem estar comum, do cidadão, não apenas atendendo as demandas de alguns segmentos, ou da busca dentro de uma lógica rentista. Em todo o mundo, os bancos públicos desempenham o papel central na economia em âmbito nacional ou regional. Quase todos os países Europeus, Estados Unidos e outras tantas nações desenvolvidas tem seus bancos públicos e, todos eles, sob um ponto de vista, seriam deficitários, se encarássemos somente pela lógica da geração de lucro. Banco público existe para corresponder as necessidades de desenvolvimentos do povo, não a lógica de mercado que só visa lucratividade, essa foi a tônica da exposição de Felipe.

O Encontro de delegados sindicais seguiu à tarde, com o debate sobre os ataques que os bancos públicos vem sofrendo nesse momento, o que estes ataques significam na lógica capitalista e quais as estratégias a serem adotadas no combate a este “desmonte” promovido pelo atual governo e por setores que tem interesse neste contexto.

Encaminhou-se, por fim, que o sindicato deverá organizar uma assembleia para debater com a categoria este tema, em data a ser definida.

Um grande ato nacional está sendo articulado em defesa dos bancos públicos e, aqui em Florianópolis, o Sindicato já se mobiliza em torno da pauta. Com o mote: se é público, é para todos, a campanha visa trazer a tona o debate sobre o papel destas instituições no desenvolvimento do país e bem estar do cidadão, combatendo a lógica individualista, de Estado mínimo, contida no atual debate ideológico nos dias que vivemos.

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