Banqueiros ignoram os riscos do coronavírus e não cumprem determinações das autoridades de saúde

Na tarde desta terça-feira (23) foi realizada uma reunião entre o Comando Nacional dos Bancários, que representa os trabalhadores do ramo financeiro, e a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban). Na oportunidade, o representante dos bancos questionou a iniciativa dos Sindicatos que recorreram à Justiça do Trabalho, com o objetivo de se fazer cumprir as determinações das autoridades de saúde dos estados, como é o caso de Santa Catarina.

Para a Federação dos Trabalhadores em Instituições Financeiras de Santa Catarina (Fetrafi-SC), o principal compromisso deve ser com a garantia de que todas as medidas restritivas e protetivas sejam adotadas, preservando a saúde dos trabalhadores e consequentemente da população. 

Para Jacir Zimmer, coordenador da secretaria geral da Fetrafi-SC e membro do Comando Nacional dos Bancários, as perdas econômicas e financeiras serão recuperadas no futuro, já as vidas perdidas pelo coronavírus não voltam nunca mais. 

Marco Silvano, presidente do Sintrafi Florianópolis e Região e também integrante do Comando Nacional dos Bancários, reforça que, neste momento, não interessa discutir as prerrogativas ou a legitimidade dos agentes públicos, ou se as determinações têm origem nos municípios, estados ou Ministério Público. “Precisamos é agir com urgência e bom senso, preservando a vida dos trabalhadores e de suas famílias”, diz ele.

Na avaliação da direção da Fetrafi-SC, a autoridade diante da pandemia não é de ordem burocrática, como querem os banqueiros. A autoridade diante da crise é a dos profissionais e técnicos da área de saúde, cujo compromisso é a vida de todos. Assim têm se comportado governos responsáveis.

Ao término da reunião desta segunda-feira, o representante da Fenaban comprometeu-se em discutir com os bancos a pauta apresentada pelo Comando Nacional. (veja as propostas abaixo).

Com isso, e embora ainda não confirmada, existe a possibilidade da continuidade, nesta terça-feira (24), dessa discussão com os banqueiros, via videoconferência, pois é cobrada uma posição oficial sobre as reivindicações dos trabalhadores do setor financeiro.

A seguir, a direção da Federação destaca os pontos apresentados pelo Comando Nacional dos Bancários na reunião com a Fenaban.

1. Fechamento das agências bancárias e demais unidades;

2. Fechamento de agências localizadas em hospitais e aeroportos, devido ao alto risco de contágio;

3. Suspensão das metas; 

4. Manter atendimento não presencial das atividades consideradas essenciais pelo decreto 10.282/2020; que estabelece em seu artigo 3º § 1º inciso XX que são atividades essenciais no setor financeiro: “compensação bancária, redes de cartões de crédito e débito, caixas bancários eletrônicos e outros serviços não presenciais de instituições financeiras”.

5. Agendamento para atendimento presencial em casos de extrema necessidade;

6. Redução da jornada para os que tiverem que ir ao local de trabalho; 

7. Garantia de deslocamento seguro para os que tiverem que fazer o atendimento não presencial de alimentação e processamento do auto atendimento;

8. Suspensão das demissões;

9. Home office para todos os bancários e bancárias, com exceção de quem terá que ir às agências para dar suporte ao funcionamento dos caixas eletrônicos, devendo haver escala de revezamento. Não podem ser incluídos os funcionários que estão nos grupos de risco; os que não têm com quem deixar os filhos menores e aqueles que coabitam com pessoas enquadradas no grupo de risco, por exemplo, pais idosos;

10. Garantia da ultratividade dos Acordos e Convenções Coletivas até 31/01/2021;

11. A MP 927 não será adotada sem negociação coletiva com o Comando Nacional;

12. Suspensão dos descomissionamentos;

13. Antecipação do vale alimentação;

14. Que os bancos façam campanha de mídia orientando os clientes sobre o uso dos meios digitais, caixas eletrônicos e os riscos da contaminação do coronavírus;

15. Disponibilizar máscara, luvas e álcool gel para os que irão realizar essas atividades essenciais;

16. Suspensão dos vencimentos dos boletos por sessenta dias;

17. Isenção de tarifas (clientes com renda até dois salários mínimos) de três transferências eletrônicas por mês (TED e DOC) para diminuir o uso de cédulas e consequentemente as chances de contaminação por coronavírus.

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