Quem planta guanxuma não colhe girassóis

Ou como diriam nossas avós, quem semeia vento que suporte a tempestade.

Em várias entrevistas, antes mesmo de ser candidato a presidente, Jair Bolsonaro já afirmava que num eventual governo, os trabalhadores teriam de escolher entre manter os seus empregos ou manter os seus direitos trabalhistas.

Confirmou suas convicções patronais e seu descaso pela precarização do trabalho quando participou como deputado no desmonte irresponsável da CLT, durante a votação da Reforma Trabalhista aprovada pelo governo Temer.

Em sua campanha presidencial, Bolsonaro declarou o seu desejo de fazer o país retornar 50 anos no tempo, período onde não havia Sistema Único de Saúde, previdência rural, muitos dos atuais direitos consolidados na Constituição de 88, em que mais de um terço da população brasileira era analfabeta e vivíamos uma brutal ditadura civil/ militar.

Portanto, não há como surpreender a irresponsabilidade do Governo Federal em relação a crise de saúde e o oportunismo de sua agenda econômica, transferindo recursos públicos para o Sistema Financeiro enquanto acelera a destruição dos sistemas públicos de proteção social.

Também não surpreende a sucessão de MP’s que extinguem direitos trabalhistas, como a jornada de seis horas dos bancários e a folga remunerada nos finais de semana.

Mas, como diz outro ditado popular, Jabuti não sobe em árvore.

Parcela importante da população, apesar de toda a clareza com que Bolsonaro anunciou qual seria a lógica de seu governo, semeou guanxumas esperando colher girassóis.

Ao definir sua equipe econômica, com Guedes e sua proposta ultraliberal a frente, Bolsonaro sempre deixou claro que governaria para atender aos interesses do mercado financeiro e dos especuladores, privatizando empresas públicas e nossos recursos naturais.

Nesse momento de incertezas quanto ao nosso futuro, já é possível perceber os banqueiros cada vez mais alinhados às políticas do governo federal e aguardando ansiosos a oportunidade de aplicar na categoria as medidas que possibilitam a redução de salários e direitos.

Como a Fenaban tem se recusado a prorrogar nossa data base, em breve teremos que retomar o debate com os bancos para a renovação da nossa Convenção Coletiva e acordos específicos.

Teremos que redefinir a organização da Campanha Nacional dos Bancários, atualizando nossas pautas e minutas frente as mudanças da legislação e ampliando debate e a mobilização da categoria.

Mais que em qualquer outro período em nossa história de lutas, todos seremos convocados a participar desse processo, que poderá determinar nossos destinos para os próximos anos, antecipando questões como os impactos do teletrabalho e a manutenção dos empregos

Independentemente de quem semeou o vento, teremos que estar cada vez mais unidos, se quisermos vencer a tempestade.

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